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Minas e o cinema: O Mineiro e o Queijo

Hoje fomos ter um dedinho de prosa com o cineasta Helvécio Ratton para a próxima edição da Verdemar em revista. Mineiro de Divinópolis, ele nos falou sobre seu mais novo trabalho, O Mineiro e o Queijo. Quem é fã do queijo tipo Minas não pode perder esse belo trabalho, que vai a fundo nas queijarias do estado para mostrar os problemas da legislação vigente que regula o produto – um filme ‘poético e político’, como diz seu diretor.

Em Belo Horizonte, o filme será lançado no dia 23 de setembro, e em São Paulo e Rio de Janeiro, no dia 30 de setembro. Confira um trecho da conversa com ele:

Durante a produção do filme, que descobertas você fez sobre a relação simbólica entre o mineiro e o queijo?

O que mais me chamou a atenção, nas três regiões [Serro, Canastra e Alto Paranaíba] foi a dignidade dos produtores e a relação que eles têm com a comunidade, tendo a noção de que fazem um bom produto. Percebi que eles se sentem guardiões de um saber, e vários citam avôs e bisavôs com quem aprenderam. E a preocupação que eles tem agora é em passar isso adiante, porque muitos dos jovens não querem mais fazer o queijo. Além de uma atividade econômica, é uma atividade prazerosa, e eles fazem queijo todos os dias do ano – menos na Sexta-feira da Paixão, quando eles dão o leite para os pobres. A ligação deles com essa atividade é muito forte, você percebe de imediato. Eu acho muito bonito uma pessoa dar valor àquilo que faz, ser identificada, acho que garante uma certa nobreza.

Quer mais sobre o queijo e a culinária de Minas? Então aguarde a próxima edição da Verdemar em revista em setembro!

Mondovino

Em determinado momento, um dos participantes se questiona sobre o futuro da diversidade do vinho; essa é a grande questão colocada pelo filme. Para além do embate entre moderno e tradicional, o documentário Mondovino se volta a questões mais econômicas e políticas que envolvem o mundo enológico.

O tour operado pelo diretor Jonathan Nossiter passa pelos grandes wine tycoons, a consultoria mundial de Michel Rolland, a luta pelo terroir dos produtores, a ‘parkerização’ do vinho e vários outros tópicos sobre a indústria do vinho. É um interessante raio-x dos rótulos, buscando uma consciência do conteúdo que se bebe.

Esse filme, que marca presença nesta edição (#21) da Verdemar em revista, é uma excelente referência para aqueles que se encontram perdidos em meio a tantas designações de origem e produtores. Por imagens e entrevistas, é possível compreender um pouco a estrutura do mundo produtor de vinhos. Uma verdadeira aula de geopolítica vitivinícola.

Nossiter possui ainda um livro na mesma linha, Gosto e poder (Cia. das Letras, 2009), traduzido no Brasil; em 2007, a revista Veja Rio fez um perfil seu, que também vale a pena conferir.

Mondovino (2004)
Diretor: Jonathan Nossiter
135 minutos.

Julie & Julia

O aguardado Julie & Julia é a cinebiografia de duas mulheres separadas por algumas décadas, mas unidas na cozinha. Não se pode falar que é um filme sobre Julia Child, a ‘patrona’ da culinária francesa nos EUA, a mulher que ensinou toda uma geração a cozinhar; nem que é um filme sobre Julie Powell, uma new yorker que encontra no livro Mastering the art of French Cooking de Child uma motivação e uma meta para sua vida. É, antes, um filme sobre o encontro, seja da cozinha, por parte de Child, seja na cozinha, por parte de Powell, ou, ainda, o próprio ato de se encontrar algo; talvez seja por isso que a película extrapole as biografadas e se torne tão fascinante.

Em grande parte, o mérito do filme é de Powell, por ter montado seu blog em 25 de agosto de 2002. A partir do seu primeiro post, começa sua busca por um sentido a mais na sua vida de burocrata. A medida que cresce seu engajamento, cresce sua empatia com Child, que o filme nos brinda com uma excepcional atuação de Meryl Streep. Por se dividir na vida das duas cozinheiras, Julie & Julia tem uma narrativa bem interessante, que vai sendo guiada cronologicamente, mas com uma alternância ritmada pelas emoções que sentem  - que é o que as une, afinal, à cozinha.

Além dos cinéfilos, os culinaristas de plantão também terão um prato cheio. Se Child teve uma formação formal, no Le Cordon Bleu, Powell se guiou pelos livros. Para quem deseja começar ou se aprimorar na cozinha, o exemplo de Julie é bem válido: escolha um fio condutor e vá orbitando ao seu redor. Disciplina e trabalho metódico são duas ferramentas fundamentais, e os dois casos de sucesso do filme não me deixam mentir. Quem sabe não surge em alguém a vontade de desafiar as mais de 1500 receitas de Dona Benta?

Quem tiver a curiosidade, vale a pena passar depois no antigo The Julie/Julia Project, blog agora desativado de Powell. Com destaque no filme, você poderá ler o episódio da lagosta e do boeuf bourginon; há também o último post, em 13 de agosto de 2004, quando da morte de Julia Child. Powell, após encerrar seu projeto, começou a bloggar em outro endereço.

Julie & Julia é antes de tudo um filme correto e feito para o ser; mas é a prova de que, mesmo em Hollywood, é possível fugir dos esquemas e dar um ‘sopro’ de criatividade. Assim como Julia em Julie.


Julie & Julia
Diretora: Nora Ephron. Com: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci. 123 minutos.