Tag Archive for doce

Doces conventuais

Na viagem à Portugal da Verdemar em revista #9, um dos tópicos abordados foram os doces conventuais. Talvez você não os reconheça por esse nome, então vai aí uma dica de como são feitos: açúcar e gemas. Identificou? Certamente, você já provou um pastel de Belém, mas a tradição portuguesa dessas delícias vai muito além.

Pão de ló de Ovar, cidade do Baixo Vouga

Boa parte da doçaria portuguesa começa em conventos e mosteiros dos séculos XV e XVI – daí a denominação ‘doces conventuais’. Segundo o livro Doçaria dos Conventos de Portugal, as receitas foram criadas nos ricos conventos femininos por moças de famílias ricas e paladar refinado, que iam parar na clausura por diversas razões – quase nunca por vocação. Uma das formas de combater o tédio era inventar doces com várias etapas de preparo, que demandassem horas de trabalho e atenção.

A fartura do ovo e do açúcar moldou as receitas, pois esses eram mercadorias recebidas em troca de missas, rezas encomendadas ou como parte dos rendimentos de propriedades possuídas pelas instituições religiosas. Como as claras eram utilizadas para engomar hábitos, fabricar hóstias e para decantar resíduos do vinho durante sua preparação, o destaque nos doces recaiu sobre as gemas; combinadas ao açúcar do Novo Mundo, as freiras criaram as mais diversas receitas.

Outro aspecto curioso são os nomes dos doces. Barrigas de freira, papos de anjo, orelhas de abade e suspiro foram denominados a partir de situações diversas vividas pelas internas. Codificados, os doces funcionavam como uma espécie de memória e comunicação da vida enclausurada.

Já está salivando? Calma, separamos uma receita portuguesa, além das outras que você encontra aqui. Com um detalhe: você terá de quebrar nada menos do que 20 ovos!

Manjar

Ingredientes
20 gemas
700 g de açúcar
½ litro de água
1 colher de sopa de baunilha
amêndoas moídas o quanto baste

Modo de Fazer
1. Faça uma calda grossa derretendo o açúcar com um pouco de água. Coe as gemas e jogue-as na calda quente, mexendo sempre. Leve ao fogo até secar a calda.
2. Em uma taça, coloque camadas do doce de ovos e de amêndoas moídas. Sirva enfeitado com fios de caramelo.

Natal com gostinho português

O Natal está a chegar, pois sim! Em uma semana, familiares dos mais diversos lugares começarão a se deslocar até o ponto da celebração. Para evitar o corre-corre – ou, ao menos, diminuí-lo, já que ele é quase inevitável – que tal planejar antes?

Em muitas casas, o prato principal da ceia já é definido pela tradição: peru assado, bacalhau ou um lombo. Se você esperou 364 dias para se deliciar com esses pratos, então pode aproveitar para levar também alguma receita interessante para os convidados. Como a sobremesa costuma ser de autoria ‘rotativa’, pegue as sugestões de doces portugueses abaixo e faça bonito na sua vez de prepará-la!

Pão de Ló de Ovar

Ingredientes
6 ovos
12 gemas
240 g de açúcar
120 g de farinha
- Molho de canela
250 ml de leite
50 g de açúcar
5 gemas
canela em pó a gosto

Modo de Fazer
1. Bata muito bem os ovos e o açúcar. Junte a farinha peneirada e volte a bater. Coloque em fôrma untada, coberta com papel vegetal untado. Asse durante 25 minutos.
2. Para o molho, bata tudo em banho-maria até cozinhar.

Pudim de Ovos

Ingredientes
500 g de açúcar
16 gemas de ovos
25 g de manteiga

Modo de Fazer
1. Derreta o açúcar até formar uma leve pasta e quando estiver morno junte as gemas batidas ligeiramente com a manteiga derretida.
2. Coloque a mistura numa fôrma untada e leve ao forno para assar. Em seguida, leve à geladeira e desenforme depois de frio.

Torta de Laranja

Ingredientes
1,1 kg de ovos
600 g de açúcar
30 g de farinha de trigo
40 g de fermento em pó
25 g de manteiga
2 laranjas (raspas e suco)

Modo de Fazer
1. Misture os ovos e o açúcar utilizando um batedor manual. Bata posteriormente na batedeira. Esprema o suco das laranjas e junte à casca ralada em um recipiente; em seguida, agregue aos ovos e açúcar delicadamente.
2. Adicione a farinha e o fermento e misture com movimentos de baixo para cima. Coloque a manteiga derretida. Unte uma fôrma com a mistura dentro de um tabuleiro maior com quantidade de água suficiente para cozinhar em banho-maria. Asse no forno a 180ºC.
3. Depois de cozida, coloque a fôrma com a torta sobre uma folha de papel polvilhada com bastante açúcar e desenforme. Ainda quente, cubra com uma fina camada de creme de ovos e enrole


Quer mais? Na Verdemar em revista #9 você encontra essas e outras receitas de doces portugueses!

Ah! Bom demais!

Um banquete doce de deixar qualquer mortal de queixo caído. Foi assim, com água na boca e cheios de gula, que encaramos o lançamento dos novos doces da Ah! Bon. Criadas pelo pâtissier espanhol Javier Guillen, chef representante da marca francesa de chocolate Valrhona na Espanha, as novidades deixaram o que já era bom ainda melhor… Mais de 30 delícias elaboradas com diferentes tipos de Valrhona feitos de cacau de várias regiões do mundo adoçaram a vida de quem participou do evento. Segundo Léo Mendes, chef do lugar, 90% do que foi apresentado na ocasião deve entrar oficialmente no menu.
De todos os doces o que mais nos agradou foi um pirulito de chocolate ao leite e chocolate branco com pitadas de flor de sal: surpreendente!
Javier Guillen, que é casado com uma mineira e adora os ingredientes brasileiros também teve os seus preferidos:
1) Tropical (crocante em pó, cupuaçu e esponja de limão)
2) Tarat de chocolate com baunilha
3) Tartelete de chocolate com limão
4) Macarron de açaí
5) Macarron de acerola
6) Finger de Cacau

Outras delícias: Palet Or (base macia de café, cremoso de café, mousse de chocolate Valhrona Nyambo 68%); Bahia (Base sacher, cremoso de acerola e gelee de cacau); Carioca (açaí, streuzel de cacau, extrato de guaraná e granola crocante).

Em tempo: Ainda este mês a Ah! Bon inaugura sua primeira loja no Rio de Janeiro, no Barra Shopping. Leó Mendes está animadíssimo! Sorte!

Direto do tacho

Goiaba, água e açúcar, quando colocados em um tacho, produzem um dos doces mais tradicionais da culinária mineira: a goiabada. Com ingredientes simples transformados por anos de experiências de doceiras, a iguaria encontrou no queijo, outro produto estimado pelos mineiros, seu par perfeito, fazendo de ‘Romeu e Julieta’ o casamento feliz que em Shakespeare não aconteceu.

Goiabada cascão

Goiabada cascão

Como é feita
Para produzir o doce, primeiramente as goiabas são selecionadas e lavadas. No método artesanal, polpa e carne são manualmente separadas e depois, sem as sementes, a fruta é colocada com casca em um grande tacho com água e açúcar. O doce leva de uma hora e meia a duas horas para ficar pronto e precisa ser mexido sem parar durante todo esse tempo. Haja braço!

Para cada quilo de goiabada utilizam-se dois de goiaba. Com o tacho à frente e a troca de calor constante com o ambiente, o doceiro acompanha as mudanças no aroma em cada fase do processo. A retirada no tempo certo e a experiência são essenciais à qualidade final. Depois de pronto, o doce é colocado em forminhas de madeira para endurecer no formato retangular quando é de barra, ou em embalagens próprias quando tem a consistência mole.

Quer saber mais? Procure pela edição 10 da Verdemar em revista e descubra mais sobre a goiabada e suas receitas. E para adoçar o seu final de semana, vai uma receita para inovar o uso dessa iguaria!
—-
Goiabada Frita
Ingredientes
goiabada cascão em fatias
granulado de castanha de caju
catupiry
manteiga
sorvete de goiaba ou queijo

Modo de Fazer
1. Prense os dois lados da fatia de goiabada no granulado e leve ao fogo com um pouco de manteiga, torrando levemente as castanhas.
2. Faça uma cama de catupiry no prato e deite sobre ele a goiabada ainda quente. Coloque uma bola de sorvete ao lado e efeite com uma folhinha de goiaba ou hortelã.